A Casa do Azeite também esteve presente na oitava edição do Congresso Nacional do Azeite. À nossa entrevista, Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, começou por elogiar a organização do Congresso Nacional do Azeite, realçando a capacidade de mobilização do evento.

“Primeiro de tudo, queria dar os meus parabéns à organização, porque, de facto, conseguiu mobilizar imensas pessoas. Está aqui o setor reunido”, afirma. A expetativa é clara: “Que sejam umas jornadas de trabalho, de debate, que se perceba quais são, de facto, os desafios que o setor enfrenta e as possíveis soluções alternativas para os ultrapassar”.

Nas palavras de Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, “é importante divulgar o azeite, as suas qualidades, as diferentes categorias comerciais e o seu uso adequado”

Um percurso positivo, mas com desafios pela frente

Apesar do caminho positivo percorrido, Mariana Matos alerta para a necessidade de reflexão. “Temos feito um percurso muito bom em termos de país, quer em termos de produção, quer em termos de comercialização. Não querendo isso dizer que estamos isentos de desafios e de questões que temos realmente de ultrapassar para poder vingar e promover o azeite português com a mais-valia com que o devemos fazer”, afirma.

Urgente reforçar o consumo interno e diversificar mercados

No que diz respeito ao mercado, sublinha que há um longo caminho por percorrer, tanto interna como externamente. “Precisamos aumentar o nosso consumo per capita, porque Portugal é um dos países produtores do sul da Europa com menor consumo”, clarifica.

Por outro lado, Mariana Matos aponta a necessidade de “diversificar mercados” e “atingir novos consumidores”, sendo essencial “comunicar as nossas diferenças e a qualidade do nosso azeite”.

Relativamente à situação dos Estados Unidos, Mariana Matos manifesta preocupação com a possibilidade de imposição de taxas sobre o azeite europeu: “Se tivermos uma ameaça sobre esse mercado, temos de facto um problema”. Embora reconheça que “se for aplicada uma taxa igual para todos os países” haverá igualdade de circunstâncias, alerta que o verdadeiro impacto será sentido no consumo.

A secretária-geral da Casa do Azeite recorda que os avanços no setor foram possíveis graças a décadas de abertura comercial.

“A produção quase que duplicou em 20 anos, mas o consumo também quase que duplicou. Isso foi possível porque houve uma abertura do comércio internacional”, considera. Nesse sentido, vê com preocupação um eventual retrocesso: “Parece-nos uma penalização para os consumidores e para os próprios americanos”. E questiona: “Como é que vão impor tarifas sobre um produto que é uma das gorduras mais saudáveis do mundo?”

Por fim, Mariana Matos aponta uma lacuna ainda presente no mercado nacional: a falta de informação do consumidor. “Embora sejamos um país produtor desde sempre, historicamente, e toda a gente ache que percebe muito de azeite, há muitos mitos e coisas que ainda não se sabem”. Para a secretária-geral, há ainda muito trabalho de esclarecimento a fazer: “É importante divulgar o azeite, as suas qualidades, as diferentes categorias comerciais e o seu uso adequado”.

→ Leia a reportagem completa do Congresso Nacional do Azeite 2025, na Revista Voz do Campo  edição de julho 2025, disponível no formato impresso e digital.

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