Perspetivas atuais e futuras do diagnóstico molecular
Após a colheita, os produtos agrícolas duradouros, como os cereais, as leguminosas, os frutos secos e outros, percorrem um longo caminho até ao consumidor. São armazenados por períodos que podem ir até vários meses em silos e armazéns antes de chegarem ao centro de processamento ou a outras instalações de transformação e serem finalmente comercializados.
Durante o armazenamento, é comum que estes produtos sejam atacados por pragas, que podem causar perdas económicas significativas e deteriorar a sua qualidade nutricional e sanitária.
A infestação por insetos nos produtos armazenados causa perdas que podem atingir 10-40% da produção anual e até 420 milhões de toneladas de cereais por ano. Estas perdas aumentam durante a transformação e a embalagem, uma vez que as pragas podem persistir no produto final ou infestá-lo mais tarde nas instalações de transformação. Além disso, a infestação cruzada pode sempre ocorrer, mesmo nos canais de distribuição comercial, devido à capacidade de muitas espécies de insetos entrarem nos materiais de embalagem.
O estado da arte na deteção de insetos e ácaros nas empresas
Atualmente, os métodos de deteção mais comuns, como a inspeção visual após crivagem do produto, têm algumas limitações em comparação com métodos mais recentes, como o diagnóstico molecular, que tem uma maior sensibilidade e fiabilidade. Este baseia-se na utilização de diferentes técnicas para analisar diferentes tipos de marcadores biológicos, como o ADN, permitindo uma deteção precisa e específica de insetos pragas em produtos armazenados.
O IRTA, através do projeto INSECT-FREE, desenvolveu um teste PCR (Polymerase Chain Reaction) fiável e rápido para detetar a contaminação por insetos em cereais, frutos secos, leguminosas, etc., bem como nos seus produtos alimentares transformados (massas, farinhas, etc.).
No âmbito do projeto INSECT-FREE, no final de 2023, foi realizado um inquérito a cerca de cinquenta grandes, médias e pequenas empresas europeias, a fim de conhecer melhor o problema das pragas de insetos. O inquérito revelou que:
– Mais de 90% destas empresas consideraram as pragas de insetos como uma prioridade.
– A maioria delas (70%) afirma que, no seu controlo de qualidade, não aceita a presença de artrópodes (insetos e ácaros) nas suas matérias-primas e produtos finais.
– Uma proporção significativa reconhece a ocorrência regular de insetos nos seus armazéns de matérias-primas (57%) e nas suas instalações de transformação (23%) (Figura 1).
– Um quinto admite ter recebido queixas dos seus clientes sobre a contaminação por insetos nos seus produtos finais transformados (20%).
– As empresas dedicam recursos consideráveis à amostragem de pragas nos seus armazéns de matérias-primas (45%), nas suas instalações (36%) e no produto final (18%).
– Quando lhes foi perguntado onde detetavam mais contaminação por insetos, indicaram nas instalações (23%) e no produto final (30%).
– A maior importância atribuída ao teste da presença de insetos foi no produto final, uma vez que 90% consideraram que a sua presença poderia afetar a sua reputação junto dos seus clientes.
Maioria das empresas testam a presença de insetos
– 85% das empresas testam a presença de insetos. Metade delas ainda peneira o grão, seguido de inspeção visual, para tomar as suas decisões sobre a gestão de pragas.
– Trinta por cento das empresas utilizam algum tipo de dispositivo de armadilhas para complementar ou substituir esta inspeção visual, e 10% indicaram utilizar outro tipo de metodologia.
– A maioria das empresas do setor alimentar explicou a necessidade de reagir rapidamente à presença de insetos nos seus produtos e instalações, que deve ser curta para evitar populações elevadas de pragas e a sua propagação a outras áreas inicialmente livres de insetos. Têm também de tomar uma decisão rápida sobre a necessidade de fumigação (imobilização), o que afetará a sua transformação e comercialização (…).
→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de agosto/setembro 2025, disponível no formato impresso e digital.
Autoria: Urbaneja-Bernat, P., Marginedas, L., Riudavets, J., Agustí, N.
IRTA, Programa de Protección Vegetal Sostenible, Ctra. Cabrils Km 2, 08348 Cabrils (Barcelona)


