O olival tradicional é um dos sistemas agrícolas mais emblemáticos do Mediterrâneo, com forte presença de Norte a Sul de Portugal. Este sistema caracteriza-se por plantações de baixa densidade, entre 100 e 200 plantas por hectare, conduzidas na sua maioria em sequeiro e com idade avançada, muitas vezes centenárias. É deste olival que vêm a identidade das azeitonas e do azeite nacional, reconhecido pela sua qualidade única.

Estes olivais são geridos de forma extensiva, respeitando os ritmos naturais e valorizando a sustentabilidade, integrando frequentemente a produção extensiva de ovinos das raças autóctones que, para além de contribuírem para o controlo de infestantes e limpeza dos terrenos, enriquecem o solo com matéria orgânica.Assim, a importância do olival tradicional vai muito para além da produção de azeite. Trata-se de um património económico, sociocultural, ambiental e paisagístico que fazem dele um elemento essencial na identidade rural portuguesa. Em Portugal, o olival tradicional é dominante em Trás-os-Montes, Beira Interior, Ribatejo e em grande parte do Alentejo fora do perímetro de rega do Alqueva, onde a rega é limitada ou inexistente. Muitos destes olivais encontram-se em solos pobres e sujeitos a condições climáticas severas.

Nas últimas décadas, sobretudo no Alentejo e Ribatejo, tem-se caminhado para uma maior intensificação da cultura, procurando maior produtividade, constância nas produções e rentabilidade, levando ao abandono ou substituição dos olivais tradicionais por sistemas intensivos e até super-intensivos ou de alta densidade.

Nestes sistemas, com densidades que podem atingir 2500 plantas por hectare e uso generalizado de rega e de fatores de produção externos, como sejam fertilizantes e produtos de proteção de plantas, e em que as variedades dominantes são em geral estrangeiras, pode comprometer a identidade do azeite nacional. Pelo contrário, o olival tradicional, embora menos produtivo, mantém um equilíbrio com o ecossistema natural, preserva a biodiversidade e serve de habitat para aves, insetos, flora e microrganismos do solo. Adicionalmente, a sua baixa dependência de produtos químicos, a menor erosão dos solos quando conduzidos de forma adequada, e o contributo para o sequestro de carbono, conferem-lhe um enorme interesse ambiental (…).

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Autoria: Nuno Rodrigues*, Paula Baptista, José Alberto Pereira
CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, Bragança, 5300-253, Portugal. nunorodrigues@ipb.pt*