O uso do plástico no setor agrícola é muito importante para melhorar a produção e a rentabilidade das culturas, como o uso de filmes para cobertura do solo, ráfia ou clipes para tutoragem. Mas quando se trata de plástico não biodegradável, no final do ciclo de cultivo surge um problema, pois é muito difícil separá-lo dos resíduos orgânicos e da própria terra para enviá-lo aos canais adequados para a sua correta reciclagem. Em alguns casos, acabam por ser eliminados de forma incorreta ou não são recolhidos, o que provoca a contaminação do solo, a acumulação de microplásticos persistentes e até mesmo a emissão de gases com efeito de estufa. Todos estes fatores prejudicam a saúde e a fertilidade das terras agrícolas.
Por isso, com o objetivo de desenvolver e comercializar soluções inovadoras de produtos fabricados com materiais de base biológica que se biodegradam de forma segura no solo e substituem os plásticos de origem fóssil e não biodegradáveis, nasce o Projeto SOUL (sigla em inglês: Bio-based in Soil applications with Optimal biodegradation in their Ultimate Life), com o apoio da Empresa Comum para uma Europa Circular de Base Biológica (CBE JU).
O projeto SOUL, que reúne um consórcio de 17 parceiros de toda a Europa e tem uma duração de 48 meses, conta com uma subvenção de 7 267 599,50 € para enfrentar este desafio, criando uma cadeia de valor para produzir até 11 soluções de produtos inovadores e biodegradáveis com um teor superior a 95% de matéria-prima renovável. A iniciativa permitirá melhorar a gestão de resíduos, reduzir a pegada de carbono e prevenir a degradação dos solos agrícolas. Além disso, o projeto também garante o cumprimento das regulamentações e apoia a transição para uma economia circular e sustentável na Europa.
O Aitiip – Centro Tecnológico de Zaragoza (Espanha) é o coordenador do projeto e participa em tarefas como a produção de “masterbatches” enzimáticos e dá apoio na produção de clipes injetados. O Aitiip também lidera a validação dos produtos em locais de demonstração em diferentes países da Europa, bem como a replicação e exploração dos resultados do projeto.
Para garantir a eficácia das soluções, os produtos serão validados em cinco locais de demonstração em toda a Europa, situados em Itália, Portugal, Polónia, Irlanda e Espanha.
Os testes avaliarão o desempenho dos produtos em diferentes condições climáticas e ambientes que garantam uma biodegradação segura e a saúde do solo, bem como o design para múltiplos cenários de fim de vida útil (reutilização, compostagem e reciclagem), o envolvimento das administrações públicas, a normalização e a aceitação no mercado. “O projeto SOUL representa um passo fundamental para uma bioeconomia verdadeiramente circular para os plásticos que acabam nos nossos solos”, afirma Carolina Peñalva, coordenadora do projeto. Ao garantir uma biodegradação eficaz, a redução da poluição por plásticos de origem fóssil implica a melhoria da saúde do solo e a promoção de soluções de bioeconomia circular e sustentabilidade (…).
Mais informações: www.novamontiberia.es
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Fontes
fyh.es/soul-para-combatir-la-contaminacion-del-suelo-con-plasticos biodegradables
www.aitiip.com/idi/proyectos/proyecto-soul.html



