ENTREVISTA A ÁLVARO MENDONÇA E MOURA, PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO DOS AGRICULTORES DE PORTUGAL – CAP

No ano em que assinala meio século de existência, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) destaca um percurso marcado pela defesa da livre iniciativa, pela modernização do setor agrícola e florestal e pela integração europeia. Em entrevista, o presidente Álvaro Mendonça e Moura sublinha os principais desafios atuais — da competitividade à renovação geracional — e defende uma PAC mais forte, um Estado facilitador e uma aposta clara no valor acrescentado e na internacionalização da produção nacional.

Que balanço faz a CAP dos 50 anos de representação do setor agrícola?
Fazemos um balanço francamente positivo, do qual nos orgulhamos profundamente. Foram cinquenta anos em que os agricultores portugueses souberam unir-se por sua livre iniciativa, na defesa do seu património, na vontade de contribuírem para uma sociedade democrática onde cada um possa optar livremente pelas opções políticas que prefira, na vontade de preservar o seu modo de vida e as suas tradições, assim como na intenção de construir um país mais próspero e mais justo para si e para os seus filhos. Foi exatamente deste espírito que nasceu a CAP, que ao longo de cinco décadas soube preservar estes ideais e acompanhar a evolução do setor.

Como descreve a evolução da agricultura e da floresta portuguesa nos últimos 50 anos?
A evolução da agricultura e da floresta no nosso país ao longo dos últimos cinquenta anos é absolutamente notável. Primeiro, ultrapassámos a barreira do isolamento e a ameaça das nacionalizações, depois, vencemos o desafio da mecanização agrícola, da empresarialização do setor e da integração no mercado comum. Atualmente, estamos a conseguir enquadrar a agricultura portuguesa com o novo paradigma das tecnologias da informação e da comunicação, e certamente iremos vencer também os desafios das alterações climáticas e do acesso à água.

Que áreas continuam estruturalmente mais frágeis e exigem intervenção prioritária?
As fragilidades que cada setor atravessa em determinadas circunstâncias não são imutáveis, embora, como é sabido, a nossa agricultura seja mais forte nos produtos caraterísticos da produção mediterrânica, como azeite, vinho, frutas e hortícolas, e menos preponderante em setores como os cereais. Inclusivamente, o governo acaba de anunciar a implementação de uma estratégia nacional para os cereais.

“Que o Estado seja um facilitador e não um entrave à atividade económica”

Que fatores considera essenciais para reforçar a competitividade da agricultura portuguesa nos mercados internacionais?
A competitividade da nossa agricultura nos mercados internacionais depende diretamente de fatores como a carga fiscal e os custos de produção, com a energia e os combustíveis em destaque. Mas depende também de fatores como a disponibilidade de mão-de-obra, a carga burocrática e o acesso à água. Por outro lado, são particularmente importantes as ações de promoção da qualidade dos nossos produtos nos mercados externos, com o valor acrescentado que pode ser adicionado às nossas produções.

Note que não querendo minimizar o papel, que é sempre fundamental, de cada agricultor, em todos estes aspetos que referi o Estado português tem um importantíssimo papel a desempenhar. Isto não é apelar a um Estado omnipresente, pelo contrário é exigir que o Estado seja um facilitador e não um entrave à atividade económica (…).

Não perca: A Grande Entrevista completa, na edição de janeiro de 2026.

 


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