Entre 2016 e 2024, a cultura do pêssego, incluindo a nectarina, manteve-se praticamente estagnada em termos de área em Portugal, enquanto a produção revelou forte dependência das condições meteorológicas. Dados do INE mostram ganhos pontuais, mas também fragilidades estruturais na produtividade e na balança comercial.

Em 2016, o país contava com cerca de 3.900 hectares de pêssego, superfície que se manteve praticamente inalterada até 2024, sem variações significativas. Segundo João Varela, do Instituto Nacional de Estatística (INE), “não houve uma alteração muito significativa na área do pêssego ao longo dos últimos 8 anos”. Cerca de metade desta área localiza-se na Beira Interior, região que desempenha um papel decisivo na produção nacional.

Produção volátil e dependente do clima

Se a área se manteve constante, já o mesmo não se pode dizer da produção. Em 2016, Portugal produziu cerca de 32 mil toneladas de pêssego, mas os níveis de produção oscilaram fortemente nos anos seguintes, atingindo um máximo próximo das 45 mil toneladas em 2019. “A produção é muito dependente das condições meteorológicas, o que explica a grande variabilidade que observamos anualmente”, sublinha João Varela.

No período em análise, a Beira Interior foi responsável, em média, por 45% da produção nacional, tendo sido determinante nos anos de maior volume produtivo, como 2017 a 2019 e 2021. “Sempre que a produção cresce no Interior, isso reflete-se imediatamente no total nacional”, acrescenta o responsável do INE.

2024: um ano difícil para o pêssego

O ano de 2024 marcou uma quebra face à produção média dos anos anteriores. A produção ficou 2,4 mil toneladas abaixo da média, apesar de a área se manter praticamente inalterada. A produtividade recuou cerca de 4,5%, refletindo condições adversas ao longo da campanha. “2024 não foi um bom ano quando comparado com a média recente. A área manteve-se, mas a produção e o rendimento ficaram abaixo do esperado”, resume João Varela.

Portugal ganha posição, mas perde em produtividade na UE

No contexto europeu, Portugal melhorou ligeiramente o seu posicionamento: passou de 6º para 5º maior produtor de pêssego da União Europeia entre 2016 e 2024. Ainda assim, representa apenas 1% da produção europeia, num mercado dominado pela Espanha, Itália, Grécia e França, que concentram 97% da produção. Os números revelam uma fragilidade estrutural: Portugal detém 2% da área, mas apenas 1% da produção, o que evidencia níveis de produtividade inferiores. Enquanto os principais produtores europeus apresentam produtividades médias próximas de 20 toneladas por hectare, Portugal fica-se por cerca de 10 toneladas por hectare.

Temos de ser realistas. Os números mostram que a produtividade nacional está longe da dos principais produtores europeus”, afirma João Varela (…).

→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de janeiro 2026, disponível no formato impresso e digital.

 


SUBSCREVA E RECEBA TODOS OS MESES A REVISTA VOZ DO CAMPO

→ SEJA ASSINANTE (clique aqui)