1. Importância do olival tradicional
Se considerarmos que o olival tradicional é aquele que tem até 100 oliveiras por hectare, os últimos dados disponíveis sobre este tipo de olival são aqueles que constam no Recenseamento Agrícola de 2019.

Segundo o INE (2021), o olival tradicional, em 2019, com os seus 137.989 ha, representava 36,58% da superfície nacional de olival, mais de um terço da área olivícola nacional. Nesse ano, apresentava maior importância no Alentejo, com 59.937 ha que correspondiam a 43,44 % do olival tradicional nacional e 30,33% do olival alentejano. Seguia-se a Beira interior com 29.818 ha, que representavam 21,61% do olival tradicional nacional e 60,39% do olival desta região. Em terceira posição encontrava-se Trás-os-Montes com 17.627 ha, que representavam 12,77% do olival tradicional nacional e 21,58% do olival desta região. As regiões com os olivais mais envelhecidos, por terem maior peso do olival tradicional, eram (e são) as regiões do Algarve (84,26% do olival da região), Entre Douro e Minho (65,62%), Ribatejo e Oeste (61,76%), Beira Interior (60,39%) e Beira Litoral (51,84%). Não sendo credível que a situação tenha mudado significativamente até aos dias de hoje, podemos dizer que é nestas regiões onde o olival (da região) se encontra confrontado com maiores dificuldades perante o futuro.
2. Razões para a perda de competitividade do olival tradicional
O olival tradicional nacional é quase exclusivamente baseado em variedades tradicionais portuguesas não melhoradas, maioritariamente em regime de sequeiro (Figura 1) e constituído por árvores envelhecidas, muitas delas centenárias ou inclusivamente milenares. Todos estes aspetos concorrem para uma reduzida produtividade das oliveiras, originando receitas que, atualmente, não cobrem os custos de produção. Outras características destes olivais, justificam também as fracas produções anuais de azeitona, como seja a plantação desordenada e em zonas de declive acentuado, impedindo a mecanização das operações culturais. Por outro lado, as plantações de antigamente relegavam os olivais para terrenos marginais, desadequados aos cereais que eram instalados nos melhores solos, fazendo com que a produtividade dos olivais, agora tradicionais (centenários), ficasse, desde o início, com- prometida. A plantação em solos muito declivosos (Figura 2), onde por vezes se tornava necessário construir socalcos ou patamares individuais para cada oliveira (Figura 3), não constituía impedimento para o seu cultivo há um século atrás, pois todos os trabalhos eram feitos manualmente ou com recurso a juntas de bois ou parelhas de muares. Hoje em dia, o seu cultivo é impossível, ao não ser mecanizável, levando, na maioria dos casos, ao seu abandono (…).
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1 Instituto Politécnico de Portalegre, Portugal
2 VALORIZA, Centro de investigação para a valorização de recursos endógenos, Instituto Politécnico de Portalegre
3 MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, Universidade de Évora.
Bibliografia
INE (2021). Recenseamento Agrícola. Análise dos principais resultados – 2019. Instituto Nacional de Estatística, i.P., Lisboa



