No arranque deste ciclo de conferências InovEnsino, promovido pela Revista Voz do Campo e dedicado à inovação e ensino no setor agrícola, tivemos a oportunidade de conversar com João Cruz, representante da direção de Gestão de Negócios de Empresas (DGNE) da Caixa Central. O Crédito Agrícola, parceiro platinum exclusivo, esteve presente para reforçar a sua identidade cooperativa e o compromisso com o setor agrícola, destacando ainda a aposta contínua na inovação e sustentabilidade, áreas em que a instituição tem se destacado ao longo do tempo. Este ciclo de conferências está a ser realizado em várias Escolas Superiores Agrárias de Portugal, trazendo à tona questões relevantes para o futuro do setor.
Desde a sua fundação, o Crédito Agrícola afirma-se como o único banco cooperativo português, composto por 67 Caixas Agrícolas e pela Caixa Central. Essa estrutura, lembra João Cruz, garante “capacidade de decisão local”, assegurando “decisões mais céleres” e reforçando o papel destas entidades enquanto “motores de desenvolvimento das economias locais”.

Forte presença no setor agro e responsabilidade histórica
A ligação umbilical do Grupo à agricultura mantém-se sólida. “Pela nossa génese – Crédito Agrícola – nós temos uma grande responsabilidade”, afirma, sublinhando que o banco conserva “uma quota de mercado entre os 27% no setor agro nacional” (a junho/2025). Esta posição implica, segundo João Cruz, um compromisso contínuo com o financiamento, a inovação e a sustentabilidade no campo. Também com referência a junho/2025, em termos de crédito, o Grupo possui cerca de 12 mil milhões de euros, dos quais “cerca de 840 milhões dedicados à agricultura e agronegócio”.
Agricultura regenerativa e inovação no terreno
A sustentabilidade, destaca João Cruz, é encarada numa perspetiva abrangente. “Estamos muito comprometidos com a sustentabilidade em toda a dimensão. Em termos de 360, quer a sustentabilidade no âmbito do ESG, quer em termos financeiros”, afirma. Para isso, o Crédito Agrícola tem vindo a apostar em ações práticas que tentam ser o mais disruptivas para que demonstrem novas formas de produção agrícola. Em 2024, o banco realizou três ações de campo dedicadas à agricultura regenerativa, focadas na vitivinicultura, cerealicultura e olivicultura – setores-chave da agricultura nacional. Estas iniciativas foram desenvolvidas em parceria com a Climate Farmers. “Envolvemos clientes nossos para mostrar que, através de novas técnicas produtivas, é possível tirar rentabilidade financeira e sustentabilidade para a sua atividade”, explica.
A proximidade às comunidades é descrita como parte do ADN institucional
“Temos uma grande proximidade com o tecido empresarial e principalmente com o setor agro localmente”, garante João Cruz. O modelo cooperativo permite essa ligação direta. A Caixa Central, lembra João Cruz, “é detida por todas as Caixas Agrícolas”, funcionando como motor de coordenação e apoio. A DGNE tem procurado “ajudar as caixas agrícolas a ter processos mais ágeis em termos de processos de negócio, para estar mais próximos dos clientes, quer para fazer o onboarding dos clientes de uma forma mais facilitada e mais atrativa também”, sublinha.
Seguros agrícolas como complemento natural
As seguradoras do Grupo – CA Seguros e CA Vida – nasceram também com vocação agrícola. “A base da nossa oferta de seguros começou por ser, efetivamente, do setor agro”, refere, destacando produtos como os seguros de colheitas e equipamentos agrícolas.
O Crédito Agrícola tem ainda investido na inovação através do Prémio Empreendedorismo e Inovação, que une startups, academia e setor empresarial.
Nas palavras de João Cruz, dele têm emergido projetos “bastante disruptivos”, capazes de gerar impacto real no mercado.
Já no campo da formação, João Cruz salienta a parceria estratégica com a Nova SBE, através do programa Voice Leadership Initiative, que capacitará 5.000 gestores de PME. “Entregámos já 200 bolsas a clientes nossos”, afirma, adiantando que o banco pretende reforçar este envolvimento.
Para concluir, João Cruz deixa uma mensagem clara aos agricultores e empresários do setor: “Sejam inovadores, não desistam. Há apoios (…) há projetos interessantíssimos”.
E reforça a importância da ligação entre produtores, academia e entidades financeiras, lembrando que o Crédito Agrícola permanece disponível para apoiar quem impulsiona a economia. “Somos um motor das economias locais, temos o nosso ADN de proximidade, temos especialistas com conhecimento próximo das populações e do tecido empresarial”, termina.

→ Leia a entrevista ao representante da direção de Gestão de Negócios de Empresas (DGNE), João Cruz, na Revista Voz do Campo – edição de dezembro 2025, disponível no formato impresso e digital.
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